Friday, March 28, 2008

Portishead @ CR (27/03/08)

Então ontem foi o muito esperado concerto de Portishead em lx... Para resumir a coisa: valeu bem a pena. Para dizer a verdade, não tinha assim grandes espectativas em relação a este concerto. Não que pensasse que fosse ser mau, mas pensei que nos fossem enfiar o novo cd pelas gargantas abaixo como se não houvesse amanhã (com uns leves salpitos dos êxitos passados metidos lá no meio para o pessoal não se passar). Felizmente, estava enganada e agora acho mesmo que o alinhamento do concerto foi das coisas bem conseguidas neste. Embora tenham tocado várias músicas novas, estas estavam muito bem espalhadas entre os temas mais antigos, o que tornou a coisa perfeitamente tolerável e até me deu vontade de ouvir o novo material.
A primeira parte ficou a cargo de uma banda um bocado estranha chamada Hawk and a Hacksaw. Esta teve os seus momentos mas, pelo menos para mim, houve alturas em que pareciam que se estavam atropelar uns aos outros num concurso de "quem é que consegue tocar mais freneticamente e a ignorar os outros". Houve outras alturas em que parecia que estavam a repetir a mesma música pela terceira vez e o meu cansaço não perdoou e estava mesmo quase a adormecer. Até acho aquele tipo de música interessante, mas pelo menos nesta banda, não o suficiente para me manter atenta o tempo todo.
Por esta altura, o coliseu já estava mesmo cheio, contrariamente a quando cheguei lá (por volta das 20h30), altura em que estava bastante vazio, suponho que devido ao pessoal mais velho, que já não tem paciência para ficar muito tempo a espera só para ter um lugar de jeito. De facto, a presença de pessoas acima dos 30 era notável e facilmente identificável, especialmente quando, por exemplo, um grupo ao meu lado começou a dizer que faltavam 5 minutos para Portishead porque estava escrito no bilhete que começava as 22h (isto quando a banda de suporte tinha acabado de tocar à coisa de 2 min). Ora, qualquer pessoa que já tenha ido a uns quantos concertos, ou pelo menos que ainda se lembre da altura em que ia, sabe que nunca na vida a banda principal vai começar 7 min depois da banda de apoio, por mais que diga no bilhete que o início é às 22h. Aliás, a grande maioria das vezes a banda principal só toca uma boa meia hora depois da hora escrita no bilhete.Contudo, a espera desta vez nem foi muito longa e um bocado antes das 22h30, lá começou o que viria a ser um concerto de cerca de hora e meia, recheado com todos os éxitos que tanto agradaram a um coliseu cheio de gente presente para ouvir músicas como Glory Box ou Wandering Star. E foi isso que ouviram, entre outras coisas, sempre perfeitamente cantadas por Beth Gibbons e tocadas pelos restantes membros da banda (Geoff Barrow e Adrian Utley). Sem querer menosprezar o contributo dos outros músicos em palco, a mulher tem uma voz verdadeiramente surreal e não teve um único momento menos bom durante o concerto. Outra coisa que adorei pois estava muito bem feita foi os efeitos visuais nos 2 monitores atrás do palco. Estes estavam sempre em perfeita sintonia com a música e foram o complemento perfeito para os seus ambientes criados por esta.
E pronto, assim foi mais um concerto, um concerto que em nada desapontou. E assim volto depois do próximo..

Bons concertos,
Ana